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Blog da Rose

Candidatos transformam campanhas do segundo turno das eleições em vale-tudo

O que o eleitor viu nas propagandas eleitorais foram ataques: Justiça passou a arbitrar as acusações

Zezé de Lima , Blog da Rose

09h00 - 28/11/2020

Atualizado há 1 mês

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Golpes abaixo da linha da cintura. Essa expressão, usada no boxe, descreve ataques desleais entre adversários no ringue. Mas sem nenhuma dúvida, pode ser trazida para a campanha eleitoral que se encerra hoje em Campinas, um dos 57 municípios brasileiros com mais de 200 mil eleitores que voltam às urnas amanhã (29/11) para escolher o próximo prefeito. Dário Saadi (Republicanos) e Rafa Zimbaldi (PL) são os protagonistas do “vale-tudo” que só deve ter fim quando os votos forem apurados.

Deixando o primeiro turno de lado, vamos à campanha do segundo, iniciada há quase duas semanas. Até o debate da Band, realizado na quinta-feira, dia 19 de novembro, as campanhas já se cutucavam, mas ainda se contentavam em apontar dedo uma para a outra. Vieram à tona temas como leniência com o grande número de comissionados na Câmara, já que ambos os candidatos foram presidentes da Casa, e posicionamentos de cada um durante os mandatos. Teve ainda a história de um ser continuidade do governo Jonas Donizette (PSB), no poder há oito anos, e do outro se colocar como o novo.

No entanto, no debate do dia 19, o caldo entornou. O confronto direto foi marcado pela agressividade, com cada um querendo colar no outro a pecha de mentiroso. Rafa aproveitou a oportunidade para apresentar denúncias contra Dário, de improbidade administrativa, envolvimento com receptação de carga desviada e até enriquecimento ilícito. Ao se ver acusado, Dário foi para o ataque e invocou a história política do pai de Rafa, Salvador Zimbaldi, que teve seu nome citado em escândalos nacionais, como o da Máfia das Sanguessugas, quando cumpria mandato de deputado federal.

Essas denúncias passaram a ser a base das campanhas por causa dos desdobramentos na Justiça Eleitoral, que vem arbitrando a favor de Dário, mas sem conseguir fazer com que o liberal deixe de veicular os conteúdos considerados falsos pelos juízes. São eles: que Dário foi condenado por improbidade administrativa quando foi presidente do Hospital Municipal Dr. Mario Gatti, nos idos da década de 1990; que intermediou a compra de uma carga de testes para covid-19 desviada do aeroporto de Congonhas logo no início da pandemia; e que quando presidente da Câmara teve suas contas rejeitadas por ter ensejado enriquecimento ilícito dos vereadores.

Ainda ontem à tarde, a Justiça Eleitoral fez mais uma investida contra Rafa. A juíza Renata Manzini, da 379ª Zona Eleitoral, autorizou uma busca no comitê de Rafa para apreensão do material de campanha que insinua existência de comprovação do envolvimento de Dário com a negociação de testes de covid-19 desviado, “posto que nenhuma prova há, neste momento, de tal envolvimento”, destaca a magistrada. Ela continua: “Assim, veicular que está comprovada a sua ligação – ou que está demonstrada, acertada, verificada – é proibido e fará incidir na multa e em demais cominações”.

Na quinta-feira, a mesma juíza já havia determinado que as propagandas que falavam da condenação por improbidade e do suposto enriquecimento ilícito também cessassem. Na sua decisão, a magistrada escreveu que Rafa “estava absolutamente ciente de que a propaganda negativa veiculada é inverídica e pode confundir o eleitor com informações desconectadas das decisões tomadas pelos tribunais.” Segundo ela, “no caso do enriquecimento ilícito, a distorção é tamanha que a propaganda veicula o contrário do que restou decidido (pela Justiça)”.

Perguntado ontem sobre por que as campanhas partiram para a beligerância em vez de focar em propostas, Dário respondeu que a campanha dele foi propositiva desde o início, apresentando os projetos que serão prioridades para a Campinas a partir do ano que vem. No entanto, “nos debates o nosso adversário (Rafa Zimbaldi) partiu para a baixaria, talvez porque não esperava ficar em segundo lugar no primeiro turno. Lamentamos o nível da campanha que eles propuseram com acusações falsas, porém nem sempre é possível silenciar diante de injustiças e fake news.”

Já Rafa disse que “desde o início, a nossa campanha apresentou um novo modelo de gestão para a cidade, uma forma mais moderna e humana para superar os obstáculos que existem e resolver os problemas de forma efetiva. Mas o que vimos foi uma onda de ataques pessoais, mentiras envolvendo até mesmo a minha família e muita fake news. Sendo assim, não vimos outra alternativa a não ser a de apontar essas mentiras, esclarecer os fatos que foram colocados para confundir a população e trazer a verdade.”

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