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Blog da Rose

Lava Jato cumpre mandado em Campinas

Ex-diretores e funcionários teriam recebido R$ 60 milhões em propina

Rose Guglielminetti, Blog da Rose

08h46 - 23/10/2019

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Policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão em Campinas na manhã desta quarta-feira (23/10), na 67ª Fase da Lava Jato, que tem como alvo a multinacional Techint, investigada por repassar propina de R$ 60 milhões a ex-diretores e ex-gerentes da Petrobras. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 1,7 bilhão referentes a ativos financeiros. As obras suspeitas somaram mais de R$ 3,3 bilhões.

No total, estão sendo cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em três estados: Rio de Janeiro (capital, Petrópolis, na Região Serrana, e Niterói). Em São Paulo, além de Campinas os policiais estão na capital e Barueri. No Paraná, em Matinhos.

Em Campinas, a busca e apreensão foi na casa do empresário Marco Antonio Orlandi, no Alto da Nova Campinas. O objetivo foi coletar provas relativa “à eventual prática de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e financeiros”.

Segundo o relatório do MPF, Orlandi era sócio de uma empresa que conseguiu contrato com a Petrobras e repassou dinheiro, via offshore na SuÍça, para o ex-diretor da estatal, Renato Duque. Só em 2008, Duque teria recebido US$ 1 milhão, dos US$ 740 mil foram repassados por Orlandi.

O caso

Segundo as investigações, executivos da Techint participavam de um quartel de empreiteiras que teriam pago propinas a diretores da Petrobras. Em troca, a empresa seria contratada para fornecer tubos e equipamentos. Os ex-funcionários da Petrobras também são investigados por corrupção e lavagem de dinheiro. No grupo de investigados também estão os intermediários, como empresas de consultoria.

Foram identificados o crime nas obras da Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, a partir de 2007, e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em 2010. As duas de responsabilidade do consórcio com a Andrade Gutierrez. Outra obra sob suspeita foi Gasduc III, no Rio Janeiro, em 2008 – só que a parceria era com o Grupo Odebrecht. Os três somaram mais de R$ 3,3 bilhões.

A suspeita é que a propina cobrada era de 2% sobre cada contrato. Os funcionários podem ter recebido cerca de R$ 60 milhões em pedágio.

A suspeita é que a Techint integre o cartel de nove empreiteiras chamado de “O Clube”, que tinha por objetivo vencer licitações de grande obras da Petrobras.

Outro lado

O advogado de defesa de Orlandi, Ralph Tórtima Stettinger Filho, disse que o seu cliente já prestou toda prova evolutiva financeira dos recursos e licitude do dinheiro que Marco Antônio Orlandi tinha no exterior. “Ele tinha dinheiro no exterior e dentro de uma operação, por orientação do doleiro, fez depósitos nesta conta sem saber que era de Renato Duque”, disse Sttettinger Filho.

Ele disse que o seu cliente já forneceu toda a documentação ao MPF e que pediu o desbloqueio de recursos determinados pela Justiça. O valor não foi informado.



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