menu 25-anos
facebook
publicidade
publicidade
Compartilhe
Notícias

O impacto da pandemia na cultura das empresas

Consultora organizacional destaca também papel dos gestores nesse momento

Band Mais

09h04 - 06/05/2020

Atualizado há 26 dias

Compartilhe whatsapp facebook linkedin

“Em momentos como esse de pandemia, constatamos o quanto a cultura da organização está amadurecida. Sim, o impacto de uma crise como essa, que estamos vivendo, é bastante significativo nas organizações, especialmente na cultura delas”. É assim que a consultora organizacional e vice-presidente da Associação dos Profissionais de Recursos Humanos de Sorocaba (APRH), Susi Berbel, começa sua explicação sobre o quanto todas essas questões relacionadas ao novo coronavírus afetam a cultura de uma empresa.

Por falar em cultura, Susi explica que ela pode ser definida como o sistema de conhecimentos, crenças e valores da empresa. “É também a constelação de atributos como estilos de liderança, tecnologia, produto e mercado. Está presente na forma como a relação entre as pessoas se dá. Em grande parte das empresas, está expressa nas Diretrizes Corporativas, como por exemplo, Missão, Visão, Valores, Perfil da Liderança etc”, diz.

Susi destaca que o momento deixa claro que o jeito de ser da empresa pode favorecer ou dificultar a reação frente às adversidades e barreiras que a crise apresenta. “Empresas com a cultura claramente expressa, fundamentada em propósitos fortes, compartilhada pelos colaboradores de uma forma geral, vivem esse momento de crise e incertezas de forma consciente e naturalmente apresentam alternativas de reação mais assertivas. Já as com a cultura velada, sem propósitos definidos, distante de seus colaboradores, certamente enfrentam com muito mais dificuldades essa crise de proporções globais”, comenta a consultora.

Forma de encarar os problemas

Susi acredita que em situações como essa, não é só a capacidade produtiva, o know how, a inteligência digital que fazem a diferença. “Em momentos assim em que impera a incerteza, não há referencial histórico recente, o que conta é o jeito, a forma como encaramos os problemas. A cultura da organização pode favorecer isso, ou dificultar”.

Ela exemplifica que empresas que já tinham uma cultura humanizada, com gestão mais focada no humano, conseguem encontrar com mais facilidade alternativas e têm as equipes prontas para a execução de novas ideias. “Não há tantas resistências aos novos horários de trabalho, home office, e tantas outras decisões que as empresas tiveram que tomar nesse momento. As empresas terão que se reinventar, estabelecer novos vínculos com o mercado, o cliente, o negócio e fundamentalmente com os colaboradores. Sem uma transformação da cultura da empresa, isso não será possível”, afirma Susi.

E os gestores?

Segundo Susi, a gestão precisa construir uma relação próxima, um entendimento sistêmico e amplo do contexto atual. “Não há referências na história moderna de crises como essa. A gestão, de forma geral, está se adaptando às necessidades que se apresentam. Com isso quero dizer que não há fórmulas mágicas, decisões fáceis”, diz.

De acordo com ela, alguns gestores estão lidando muito bem com isso, aceitando a insegurança e a incerteza que não podemos mudar. “Esses gestores estão apoiando suas equipes, direcionando ações produtivas, dialogando com todas as partes, clientes, fornecedores, colaboradores, familiares etc. Estão governando o que pode ser governado. Outros, estão confusos e perdidos. Negam a situação, minimizam ou supervalorizam as questões, das mais simples até as mais complexas”, afirma.

Susi enfatiza que é preciso entender que a gestão sempre foi e sempre será a voz da empresa e que assumir esse papel de liderança e referência é fundamental para o sucesso da gestão. “O gestor deverá aprender a lidar com a colaboração e não mais competição, diálogo ou invés de imposição. Vai ter que aprender a lidar com confiança e autonomia de seus colaboradores. Mas o gestor também precisa de apoio, da própria empresa e também de seus colaboradores. A via agora é de mão dupla!”, garante.

Ela conta que tem atuado nas questões psicológicas e comportamentais dessa crise. “Em dois grandes clientes fiz um trabalho de acolhimento à volta ao trabalho. Fizemos uma roda de conversa com a liderança para discutirmos o que o gestor deve fazer, qual seu papel nesse momento, que respostas devemos dar, que perguntas devemos fazer. Basicamente falamos de maturidade, aceitar o que não podemos mudar, estar atento aos nossos sentimentos e emoções, trabalhar a ansiedade, propósito e legado”, explica.

Susi traz um questionamento: daqui a cinco anos do que você vai se orgulhar de ter feito hoje? “Os desafios são imensuráveis. Podemos avaliar de duas formas: tudo vai mudar e temos motivos de sobra para reclamar ou tudo vai mudar e temos muito a aprender e crescer. Levanta e vamos trabalhar em busca de uma gestão mais humanizada, uma comunicação mais clara e transparente, em busca de colaboração e confiança mútua. Vamos deixar de lado modismos e generalizações e atuar nas coisas simples em prol de resultados melhores”, aconselha a consultora.

Cida Haddad/ Eko Digital

0 Comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios.

publicidade
publicidade
publicidade