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Quais os efeitos do Coronavírus na economia brasileira?

Consumo das famílias é afetado

Band Mais

10h00 - 15/03/2020

Atualizado há 16 dias

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Com 121 casos confirmados no Brasil de COVID-19, até o sábado (14/03), muito tem sido comentado sobre o que o aumento de casos da doença pode refletir na economia brasileira. Mas, qual realmente é o impacto neste momento?

O consumo, investimento, gastos do governo e o saldo da balança comercial são os principais fatores geradores de crescimento econômico, que é representado pelo Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, o saldo de tudo que foi produzido no país. Desta forma, pode-se dizer que a renda das famílias é um dos pontos cruciais para se atingir o crescimento econômico via consumo.

A explicação acima é do professor Roque Pinto de Camargo Neto, da área de Economia da Esamc Sorocaba. “Com a chegada do Coronavírus ao Brasil, pode-se esperar um efeito direto sobre o consumo das famílias, de forma que haja mais precaução com viagens, shows e eventos com concentração de pessoas, podendo reduzir substancialmente as vendas no varejo e as contratações de serviços”, afirma. “Mas não há necessidade de pânico. Por exemplo, tem gente estocando alimentos, o que não faz sentido, pois isso só irá postergar as coisas e piorar a situação do ponto de vista da economia”, destaca o professor.

Investimentos e Bolsa de Valores

Quanto a investimentos, é importante ter cautela, garante Camargo Neto. “No momento, a Bolsa de Valores anda bem agitada por conta das expectativas, então é preciso ter cuidado para não se aventurar e ter prejuízos”, alerta.

Ainda sobre a investimentos, Camargo Neto diz que não se pode dizer que existe uma certa tranquilidade, tendo em vista que o atual cenário político segue conturbado e as discussões sobre as reformas no setor público tramitam lentamente no congresso nacional. “Esse fato é de suma importância para que o nível de confiança dos investidores e empresários seja elevado e que eles possam confiar na capacidade do governo em honrar com as despesas. Esse quadro pode apresentar um agravamento com a questão do Coronavírus, que tende a gerar maior insegurança entre investidores e empresários, o que justifica a instabilidade na bolsa de valores nos últimos dias”, comenta.

Quem acompanha o mercado financeiro viu, nestes últimos dias, um cenário de incertezas. O índice Ibovespa, da B3, encerrou na sexta-feira (13/03) com alta de 13,91%, seguindo as principais bolsas internacionais, que reagiram a “estímulos” dos bancos centrais do Japão e Estados Unidos, para amenizar a crise, mas vale ressaltar que o Ibovespa encerrou a semana com perdas de 15,63%. Camargo Neto lembra que, quanto à Bolsa de Valores, houve interrupção das negociações (um mecanismo da bolsa para evitar choques especulativos), quatro vezes durante a semana.

Com relação à balança comercial, que é a diferença entre as exportações e as importações, espera-se um efeito bastante significativo, dado que a China já apresentou uma retração na sua atividade econômica, o que impacta diretamente sobre as exportações brasileiras, já que o país é o nosso principal parceiro comercial. “Esse efeito já pode ser observado através dos dados do Ministério da Economia, em que as exportações brasileiras caíram cerca de 19% em janeiro de 2020, em contrapartida, as importações diminuíram apenas 1,1% nesse mesmo período”, complementa o professor.

Por fim, sobre os gastos do governo, “seguem os debates sobre as reformas administrativa e tributária, que têm como objetivo desburocratizar a economia e garantir que as despesas públicas não excedam as receitas, que visam a estabilidade do orçamento e por fim gerar maior confiança para o setor privado. Sobre esse aspecto, os efeitos do Coronavírus podem reduzir as arrecadações de impostos, através de uma possível diminuição da atividade econômica nos primeiros meses deste ano”, explica Camargo Neto.

Cida Haddad/ Eko Digital

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