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‘Qualquer minuto a mais que consigo passar com minha filha é valioso’

Ser pai no meio dessa pandemia traz descobertas e desafios

Band Mais

12h20 - 09/08/2020

Atualizado há 5 meses

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“Para alguém como eu, que sempre quis ser pai, qualquer minuto a mais que consigo passar com minha filha é valioso”. É assim que o professor universitário e diretor acadêmico Mauricio Marra define estar mais próximo da filha Helena nesse momento de pandemia do novo coronavírus.

A proximidade em relação aos filhos tem sido parte da rotina de muitos pais, que estão em home office. “Como trabalho em uma cidade e moro em outra, o que me faz passar ao menos duas noites por semana fora de casa, e portanto longe do convívio com ela, estar em casa é uma experiência maravilhosa pois, além de poder brincar mais com ela e fazer as refeições enquanto conversamos, entre outras atividades que temos, estou tendo a oportunidade de participar de seu desenvolvimento escolar pelas aulas online, justamente no momento de sua alfabetização. E é maravilhoso ver suas conquistas e descobertas”, afirma Marra.

O professor conta que, desde março, está em casa, em São Paulo, e como suas aulas em ensino remoto emergencial são nos períodos da manhã e noite, ele consegue acompanhar a filha nas aulas online dela, que são à tarde, enquanto está trabalhando ao lado dela.

Acompanhar o aprendizado dos filhos nesse momento de pandemia é uma das atividades durante o isolamento social. “Como minha esposa também está trabalhando em casa, estamos nos virando em administrar casa e trabalho. Embora desde pequeno tenha o hábito de fazer tarefas domésticas, confesso que a intensidade hoje é muito maior. Tem dias que acabo todo dolorido por causa da roupa que passo ou da faxina, além óbvio das brincadeiras, afinal não sou mais um jovem, mas não reclamo”, garante Marra.

Percepções mais claras

Passar mais tempo ao lado de Helena faz Marra ter percepções mais claras quanto às características da filha, como ele define. A vocação para as artes está muito presente, já que Helena adora cantar, dançar, fazer as aulas de teatro, desenhar, pintar e gosta de fotografia. “Minha filha está numa fase muito rica. Como é curiosa e interessada, compartilhamos muitos conhecimentos novos. Falamos sobre bichos, música, trabalho, plantas, questões morais e sociais, religião, sobre planetas e o universo, fotografia, Física e até Meteorologia. Tentamos sempre agregar conhecimento e cultura geral a qualquer coisa que aconteça”, conta o professor.

Segundo Marra, como Helena está impedida, neste momento, de conviver com outras crianças, é preciso reaprender a ser criança, a pensar e agir um pouco como eles, ao menos em parte do tempo e o desafio é dosar “ordem e desordem”, afinal, nessa situação tão atípica, não dá para levar tudo a ferro e fogo.

Explicar sobre a pandemia

Marra comenta que explicou para Helena sobre a pandemia e no início acha que ela se assustou com a distância dos amigos, professoras e familiares, com o medo de adoecer e de os pais ficassem doentes, mesmo com medo da morte, que começa a fazer mais sentido nessa fase da vida. Com o tempo a aceitação do isolamento foi se tornando maior, comenta Marra, o medo se abrandou, e ela viu na proximidade um ganho que, de certa forma, compensou algumas perdas.

E quando tudo isso acabar e voltarmos à rotina sem isolamento? “Assim como aprendemos a viver no isolamento, vamos ter que reaprender na volta. Por sorte, desde o dia do nascimento de Helena, tenho o hábito de chegar em casa e deixar tudo de lado, para poder ficar com ela e minha esposa. Tenho muito claro, desde que ela nasceu, que quero que ela tenha lembranças de mim, em sua infância, tão boas quanto eu tenho de meu pai, que sempre me foi exemplo, mas que já nos deixou. Por isso, mesmo cansado, não me incomodo de correr pela casa brincando de esconde-esconde, de ser o cavalinho ou cantar antes dela dormir. Sei que tudo isso vale a pena, para ela e para mim”, diz Marra.

Mauricio Marra com a família

Como é ser pai nessa pandemia?

Sensação de medo, insegurança, incerteza e vulnerabilidade são desconfortáveis para mães, pais, filhos, chefes, funcionários, e acomete adultos e crianças. 

A psicóloga e professora da Esamc Sorocaba Ariane Teixeira Toubia afirma que existe uma questão cultural, há muito tempo arraigada na figura masculina. “Figura essa que é vista como alguém que trabalha demais, passa muito tempo fora de casa, carrega consigo a responsabilidade de ser o provedor da casa, ocasionando, muitas vezes em falta de afeto, ausência e distanciamento emocional familiar, logo dos filhos”, define.

Nesse momento de quarentena, pais que já participavam de uma rotina marcada por trabalho, lição de casa e tempo mínimo de lazer com os filhos, estão nessa realidade de forma mais intensa. “Pais que passavam o dia fora, semanas fora de casa, e agora estão em home office, têm a chance de ficarem mais próximos de seus filhos, porém a conciliação de trabalho e cuidado com os filhos, exige paciência, dedicação e comprometimento. Muitos pais se descobriram nessa quarentena, mas outros tantos se estressaram, ficaram irritados, seja pela novidade do cenário atual, seja pelo medo de não dar conta da autorresponsabilidade imposta a si mesmos, pelo excesso de trabalho, e não menos importante, pelo novo contexto:  casa, trabalho, família, lazer no mesmo espaço físico”, comenta Ariane.

A psicóloga explica que o momento é delicado, mas realmente a situação e as emoções variam de acordo com o valor que atribuímos ao que acontece ao nosso redor. Há gama de respostas e habilidades para explorar, mas é preciso regular as emoções para oferecermos o mais adequado. “Sejam homens, mulheres, pais, mães, é fato que precisamos nos flexibilizar para sofrermos cada vez menos”, afirma.

Ariane Teixeira Toubia e família

Cida Haddad/ Eko Digital

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