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Sérgio Moro deixa o governo e diz que Bolsonaro quis intervir na PF

Ele pediu demissão do cargo de ministro da Justiça na manhã desta sexta-feira (24)

Band Mais

11h42 - 24/04/2020

Atualizado há 8 meses

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A novela sobre o pedido de demissão ou não de Sérgio Moro terminou na manhã desta sexta-feira (24). O juiz pediu para sair do cargo de chefe do Ministério da Justiça do governo do presidente do Jair Bolsonaro e anunciou a decisão em uma entrevista coletiva. Moro disse que o presidente queria ter acesso às investigações da PF.

No começo do dia, o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, foi exonerado do cargo. Nesta quinta-feira (23), Bolsonaro avisou à Moro que iria demitir o chefe da PF. Essa decisão não agradou em nada o então ministro da Justiça.

Com isso, as informações sobre Moro ter pedido demissão começaram a pipocar na imprensa, o que foi desmentido pela assessoria do Ministério da Justiça em nome do ministro.

Nos bastidores, interlocutores dizem que a reação do ministro à decisão do presidente surpreendeu Bolsonaro, que teria pedido para dois ministros fossem conversar com ele e servir de “bombeiros” para abrandar a situação.

Essa reação abalou a economia, com a cotação do dólar chegando ao histórico patamar de R$ 5,52 no fechamento desta quinta-feira (23).

Apesar de um certo recuo na demissão do diretor geral da PF e, consequentemente, a saída de Moro do cargo, o Diário Oficial da União publicou na madrugada desta sexta-feira (24) a exoneração de Maurício Valeixo.

Sérgio Moro, em posse dessa informação, convocou uma coletiva de imprensa para às 11h e anunciou a sua demissão do Governo Federal.

Na coletiva, o ex-ministro disse que o presidente não deu nenhuma justificativa, apesar de pedida por ele, para que houvesse a troca do diretor-geral, bem como novas trocas que foram sinalizadas por Bolsonaro que seriam feitas na Polícia Federal.

Moro revelou que chegou a conversar com o presidente na quinta-feira (23) e o alertou sobre todos os problemas que seriam causados com a mudança, na queda de credibilidade no Governo, além de outros fatores em cascata.

O ex-ministro disse que o maior problema não é o trocar, mas o porque realizar a troca sem justificativa plausível. Segundo Moro, o presidente sempre disse que queria alguém de perto dele, para ter informações “privilegiadas”.

“Sinto o dever de proteger”, disse Moro ao anunciar a sua demissão do Governo Federal, alegando que tal dever não poderia ser cumprido a partir de agora.

“Ele demostrou que me quer fora do cargo”, reafirmou o ex-ministro. “Eu não tinha como aceitar essa substituição”, ressaltou. “Ele fez um compromisso inicial, que seria técnico, e que a troca poderia ser feito, desde que técnico”, completou.

“Não posso continuar com o meu trabalho sem ter autonomia ou ter que sinalizar uma concordância com atitudes como essa [troca sem motivos justificável, só por questão política]”, finalizou Moro.

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