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Uso excessivo de aparelhos eletrônicos nessa pandemia e os danos à visão

Entre os elementos prejudiciais está a luz azul emitida pelos equipamentos

Band Mais

11h40 - 05/07/2020

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A permanência em casa, durante a quarentena, culminou no aumento do uso de celulares, tablets e smartphones. Seja para o trabalho ou lazer, as pessoas estão mais conectadas. Mas, é necessária cautela, pois o uso excessivo desses aparelhos pode ocasionar danos à visão, em especial a chamada Síndrome Visual Relacionada a Computadores (SVRC).

Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) estimativas apontam que 90% dos usuários de tecnologias por mais de três horas, por dia, apresentam algum sintoma relacionado à síndrome. A SRV reúne um conjunto de sintomas associados ao uso de equipamentos eletrônicos por longos períodos, explica Lindalva Carvalho de Morais, médica oftalmologista do BOS – Hospital Oftalmológico de Sorocaba. Os principais sinais são fadiga e ressecamento ocular, informa. A SBO elenca, ainda, a sensação de corpo estranho, ardência, dor, irritação, vermelhidão e turvação visual.

Os incômodos ocorrem, sobretudo, pela diminuição da frequência do hábito de piscar. Regularmente, as pessoas piscam, em média, entre 15 e 20 vezes, por minuto. No entanto, quando centradas em uma atividade, a frequência pode diminuir para cinco a seis vezes, detalha Dra. Lindalva. “Esse fato atrapalha a lubrificação correta da superfície do olho e leva ao ressecamento”, destaca. Além disso, muitos ficam bem próximos das telas. Com isso, os músculos precisam convergir mais para garantir a visualização adequada. Esse esforço causa cansaço visual, chamado de astenopia, principalmente entre quem trabalha longas horas em frente ao computador. “O ideal é trabalhar a uma distância de 30 a 40 centímetros das telas”, recomenda a especialista.

Outro elemento prejudicial é a luz azul emitida pelos equipamentos. A exposição contínua à radiação ultravioleta atinge mais a parte anterior do olho, córnea e cristalino, provocando alterações corneanas e catarata. A luz azul, por sua vez, incide diretamente na retina, atingindo a mácula, região responsável pela visão de qualidade, visão nítida e de cores, diferencia a médica. Os problemas serão percebidos anos depois do uso frequente e exacerbado dos aparelhos. A iluminação inadequada do ambiente e das telas, bem como a postura incorreta à frente dos dispositivos, também estão entre os motivos desencadeadores da SRV.

Crianças são as mais afetadas

O problema pode afetar tanto adultos, quanto crianças, diz a médica. Porém, os menores podem desenvolver doenças mais sérias na fase adulta, adverte. Os efeitos da luz azul são cumulativos e, por começarem a usar precocemente os aparelhos, as crianças ficam mais tempo expostas a eles. “As crianças que, hoje, utilizam muito o celular a uma distância muito próxima do rosto terão, provavelmente, na faixa dos 30 anos, a degeneração macular”, alerta. Essa doença compromete a mácula, uma parte da retina, e pode levar à perda progressiva da visão central. Pelas mesmas razões, elas têm mais chances de desenvolver miopia (dificuldade para enxergar de longe) e estrabismo convergente (desalinhamento dos olhos), completa a oftalmologista.

Sendo assim, crianças de até 4 anos não devem utilizar equipamentos eletrônicos. Entre quatro e sete anos, o período de uso não pode exceder uma hora diária. A partir dos sete até o início da adolescência, a indicação é de 1h30, não excedendo 12 horas semanais.

Precauções

Para evitar essas complicações, independentemente da idade, deve-se tomar algumas precauções. A principal delas é lembrar de piscar com frequência. Para tanto, podem ser colocados lembretes nas telas dos computados, tablets ou smartphones. É igualmente importante fazer pausas constantes. A cada 20 minutos, deve-se parar e olhar para uma distância de seis metros, por 20 segundos. Esse processo é chamado de regra do “vinte, vinte, vinte”. “Toda vez que olhamos para qualquer coisa a seis metros distância, a cada 20 minutos, por 20 segundos, o nosso olho relaxa”, elucida a especialista. Nesse sentido, é essencial fechar os olhos por 20 segundos, a cada meia hora. Depois de 40 ou 50 minutos, orienta-se permanecer por dez minutos distante do equipamento.

Quem usa óculos deve colocar lentes com bloqueio de luz azul, para impedir a chegada dela à retina. “É uma proteção absoluta e bastante confiável”, frisa Dra. Lindalva. Já, para não usuários de óculos, a dica é instalar, nas ferramentas, aplicativos bloqueadores. Eles devem ser ativados durante todo o dia, e não apenas à noite, aconselha a médica. Outro aviso é manter a postura adequada. Os pés têm que sempre alcançar o chão. As pernas devem estar alinhadas de maneira a formar um ângulo de 90 graus com os pés. O mesmo vale para os joelhos e o tronco. Ademais, a altura do monitor deve estar linear com os olhos, além de preferir um local de trabalho com boa iluminação e mantê-lo umidificado. “Muitas vezes, há muitos reflexos e a luz do sol diretamente no rosto. Por isso, o computador não deve estar de frente para uma janela, mas, sim, de preferência, em uma parede fechada”, aconselha.

Tratamento

A Síndrome Visual Relacionada a Computadores não causa, por si só, danos mais graves. Mas, diante dos sinais, o médico oftalmologista deve ser procurado. O tratamento é simples, com avaliação do quadro do paciente e prescrição de colírios, para a lubrificação ocular. Se necessário, serão indicados medicamentos orais. Na avaliação, o médico constatará se é um caso de SRV ou se há algum problema nas glândulas palpebrais ou de musculatura associado. Ainda, verificará a possível necessidade do uso de óculos. “Portanto, sempre que possível, é importante o paciente fazer uma avaliação (geral)”, pontua a médica.


1 Comentário

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  • Lillian Ferras disse:

    Que alegria ver uma reportagem com a Dra Lindalva. Quando precisei de consulta de visão subnormal pra minha mãe, foi ela quem a atendeu e com muito carinho. Valeu a pena a viagem até ao BOS Sorocaba para a consulta.

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